MPT/AL e Fetipat/AL promovem campanha de combate ao trabalho infantil em jangadas de Maceió

Com apoio do TRT/AL, seis embarcações permanecerão navegando e realizando travessia para piscinas naturais com identidade visual da ação promocional nos próximos seis meses

Maceió/AL - A campanha “Chega de Trabalho Infantil” ganhou o céu, o sal, o sol de Maceió. Na manhã de sexta-feira (4), o Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL) e o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador de Alagoas (Fetipat/AL), em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho em Alagoas (TRT/AL), lançou ao mar seis jangadas personalizadas na Praia de Pajuçara para sensibilizar turistas e a população local sobre a violação de direitos humanos de crianças e adolescentes. 

As jangadas permanecerão navegando e realizando a travessia para as piscinas naturais com a identidade visual da campanha nos próximos seis meses, em plena alta temporada do turismo na capital alagoana.

Jangadas com campanha de combate ao trabalho infantil navegarão pelo mar de Pajuçara por seis meses (Foto: Artur Tourinho)
Jangadas com campanha de combate ao trabalho infantil navegarão pelo mar de Pajuçara por seis meses (Foto: Artur Tourinho)

No lançamento das embarcações, as procuradoras do MPT/AL Cláudia Soares e Adir de Abreu destacaram que o trabalho realizado a céu aberto e no comércio ambulante nas praias consiste em uma das piores formas de trabalho infantil e deve ser combatido por toda a sociedade.

“Com a proximidade da chegada do verão e das férias escolares, infelizmente os casos de trabalho infantil no espaço das areias da praia tendem a aumentar. A ideia de trazer a campanha para um dos maiores cartões postais da cidade de Maceió, o mar de Pajuçara, foi transformar a sociedade em um grande aliado dessa causa, conclamando para que os casos sejam denunciados e acionado o Ministério Público do Trabalho para atuação”, disse a titular regional da Coordenadoria de Combate ao Trabalho Infantil e de Promoção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Coordinfância) do MPT, Cláudia Soares.

No mesmo sentido, a procuradora-chefe do MPT/AL, Adir de Abreu, ressaltou a importância de se resguardar o meio ambiente de diversão longe do meio ambiente de trabalho, especialmente para o segmento da população em situação de vulnerabilidade. “A praia deve ser um espaço de lazer e diversão de crianças e adolescentes e não de violação de direitos”, disse a liderança do _Parquet_ alagoano.

A coordenadora do Fetipat/AL, Nelma Nunes, lembrou que a sensibilização da população local e dos turistas pode ajudar a quebrar tabus estabelecidos há muitos anos. “Apesar de proibido por lei, o trabalho infantil é visto pela sociedade como um caminho aceitável para o enfrentamento à pobreza. Isso tem que acabar”, defendeu.

Além do MPT, Fetipat e TRT, poder público e sociedade civil organizada de Alagoas abraçaram campanha (Foto: Rafael Barreto/MPT)
Além do MPT, Fetipat e TRT, poder público e sociedade civil organizada de Alagoas abraçaram campanha (Foto: Rafael Barreto/MPT)

A mensagem foi reforçada pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho em Alagoas, desembargador Marcelo Vieira e pelo juiz trabalhista Emanuel Holanda, que também prestigiaram a ação promocional.

“Esta campanha é um importante passo na sensibilização da sociedade sobre a violação dos direitos de crianças e adolescentes e reforça a mensagem de que o lugar delas é na escola, com acesso à educação e tempo para o lazer. O TRT, em parceria com o MPT e o Fetipat, reafirma seu compromisso com a erradicação do trabalho infantil, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária para todos”, destacou o desembargador-presidente.

Além dos três realizadores, compareceram ao lançamento da campanha representantes da Superintendência Regional do Trabalho em Alagoas (SRTE/AL), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Promoção Bem Estar Comunitário (Soprobem) e Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

Com o lançamento das jangadas personalizadas, espera-se a sensibilização da população local e dos turistas em relação à defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes (Foto: Artur Tourinho)
Com o lançamento das jangadas personalizadas, espera-se a sensibilização da população local e dos turistas em relação à defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes (Foto: Artur Tourinho)

Denuncie

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2022, mais de duas milhões de pessoas com menos de 18 anos foram vítimas do trabalho infantil no Brasil. Entre elas, 24.814 crianças e adolescentes alagoanos.

No entanto, segundo a procuradora Cláudia Soares, esses dados não refletem a realidade nem no país, nem no estado: “A amostragem realizada não contempla diversas formas de trabalho infantil, como o trabalho nas ruas, de vendedor ambulante, o trabalho infantil no tráfico de drogas, na exploração sexual e ainda o doméstico. Precisamos falar da invisibilidade dessas violações, da interrupção dessas infâncias alagoanas em razão do trabalho precoce, que acarreta a interrupção de projetos de vida e da oportunidade de terem uma melhor perspectiva de futuro”.

Qualquer pessoa pode ajudar a proteger essas infâncias a adolescências que tem os seus projetos de vida interrompidos com o trabalho precoce, com repercussões graves e muitas vezes irreversíveis na vida adulta. Denuncie no Disque 100 ou no site www.mpt.mp.br.

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