Três jornalistas de Alagoas vencem Prêmio MPT de Jornalismo

Radicada no estado, Sumaia Villela também levou a premiação nacional de Radiojornalismo

Maceió/AL - A imprensa do Estado de Alagoas foi destaque no Prêmio MPT de Jornalismo. Nessa terça-feira (5), os jornalistas Thiago Correia (TV Pajuçara), Thiago Gomes (Gazeta de Alagoas) e Jonathan Lins (Gazetaweb) estiveram em Brasília para receber a premiação do Ministério Público do Trabalho (MPT) por vencerem categorias da Região Nordeste. Radicada em Alagoas, a jornalista carioca Sumaia Villela, da Agência Brasil e da Rádio Nacional, foi a grande vencedora na categoria Radiojornalismo.

Thiago Correia levou o prêmio da categoria regional de Telejornalismo com a matéria “Casas de farinha: o fim da tradição, o início da escravidão”. Segundo o jornalista da TV Pajuçara, a premiação representa a atuação do MPT contra as injustiças nas relações de trabalho: “É a voz social contra as tentativas do poder econômico de sucumbir às pressões do mercado”.

Com a reportagem “Entre a terra e o mar”, o jornalista da Gazeta de Alagoas Thiago Gomes foi o vencedor da categoria regional de Jornal e Revista Impressa. "Ao honrar os jornalistas, o MPT reconhece o quanto é importante a profissão no sentido de colaborar com a difusão dos direitos sociais e na formação da opinião da sociedade quanto ao universo trabalhista. Particularmente, sinto-me privilegiado por ter uma reportagem destacada entre tantas igualmente boas do país", disse.

Fotografia "Alpinista do lixo", vencedora do Prêmio MPT de Jornalismo. Crédito: Jonathan Lins
Fotografia "Alpinista do lixo", vencedora do Prêmio MPT de Jornalismo. Crédito: Jonathan Lins

O terceiro prêmio regional para Alagoas foi do repórter fotográfico Jonathan Lins. A comissão julgadora nacional reconheceu a foto intitulada “Alpinista do lixo” como a melhor da Região Nordeste em 2018. O repórter fotográfico fez o registro durante cobertura da Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Radiojornalismo

Já Sumaia Villela foi a autora da série de reportagens “Agrotóxicos: a dor silenciosa das comunidades rurais”, que deu à jornalista os prêmios regional e nacional de Radiojornalismo. “Eu fiz a série quando havia uma discussão intensa na Câmara a respeito da flexibilização da Lei dos Agrotóxicos. Quisemos abordar o tema não do ponto de vista da escolha de se alimentar com produtos com agrotóxicos ou orgânicos, mas tratar exatamente daqueles que não têm escolha. São os trabalhadores rurais das plantações pulverizadas e suas famílias, que têm contato com as substâncias por meio do trabalho, da água de suas casas, do ar. Está por toda parte, inclusive no sangue e no leite materno”.

“Eu já conhecia o prêmio e sei do prestígio que ele possui. Achei que as reportagens casavam com a proposta e inscrevi. Agora é especialmente importante fazer parte disso e fortalecer a iniciativa, diante da flexibilidade das relações trabalhistas, da extinção do Ministério do Trabalho e dos ataques à Justiça do Trabalho. Existe o discurso de excesso de direitos e de trabalhadores superprotegidos. A experiência acumulada do prêmio é só próprio ofício do MPT mostra que não é assim. E minha série também.”, completou Sumaia, que veio morar em Maceió aos dois anos e trabalhou na imprensa alagoana antes de se mudar para Brasília há sete anos.

Sumaia Villela foi a principal vencedora da categoria Radiojornalismo. Crédito: Ascom MPT
Sumaia Villela foi a principal vencedora da categoria Radiojornalismo. Crédito: Ascom MPT

O prêmio

Foram premiados 36 trabalhos que apresentaram diversos assuntos relacionados ao direito trabalhista no Brasil. A cerimônia ocorreu na sede da Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT), em Brasília. Ao todo, foram inscritas 399 reportagens nas categorias jornal impresso e revista impressa, radiojornalismo, telejornalismo, webjornalismo, fotojornalismo e universitário, publicadas ou veiculadas de 1º de maio de 2017 a 30 de outubro de 2018. 

O Prêmio Especial MPT de Jornalismo ficou com os jornalistas Nathan Santos, Marília Parente e Eduarda Esteves, autores da reportagem multimídia “Trabalhador – Herança Escravista, Pobreza e Irregularidades”, veiculada no Portal Leia Já. 

Novidade nesta edição do Prêmio MPT de Jornalismo, a categoria Prêmio Especial Igualdade de Oportunidades teve como ganhadora Camila Alves pela reportagem “Impedidas: Machismo e Violência no Futebol”, publicada no Diário de Pernambuco.

A jornalista Lilian Primi foi a vencedora do Prêmio Especial Fraudes Trabalhistas com a reportagem “Terceirização: trabalho desumano e abandono”, publicada na revista Caros Amigos.

Durante a cerimônia, o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ronaldo Fleury, lembrou do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) e enalteceu o papel dos jornalistas em apurar fatos e divulgá-los nos meios de comunicação. “A importância dos jornalistas é levar à sociedade o debate e essas realidades que estão no nosso dia a dia”, disse.

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