Tráfico de pessoas: MPT e TRT realizam capacitação com trabalhadores da rodoviária de Maceió
Treinamento ocorreu na última sexta-feira (8) e faz parte das ações que estão sendo realizadas em agosto pela Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, a Coetrae
O Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) realizaram capacitação com trabalhadores do terminal rodoviário de Maceió, na última sexta-feira (8), para orientá-los sobre o combate ao tráfico de pessoas. A iniciativa - em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, celebrado em 30 de julho - faz parte das ações que estão sendo realizadas pela Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, a Coetrae.
Os trabalhadores da rodoviária receberam orientações sobre como atuar diante de situações suspeitas que possam caracterizar o tráfico de pessoas, cujo crime está diretamente ligado ao trabalho escravo contemporâneo. A palestra sobre o tema foi conduzida pelo desembargador do TRT Antônio Catão.
“Nós tivemos a incumbência de abordar uma temática acerca do trabalho escravo e que, nos últimos tempos, vem tendo uma pertinência muito forte em relação ao mundo jurídico, porque estamos falando de trabalho escravo moderno. A chamada escravidão moderna tem tentáculos, também modernos, que alcançam circunstâncias jamais vistas e que afrontam a dignidade do trabalhador”, explicou o desembargador.
A procuradora Marcela Dória, titular regional da Coordenadoria de Combate ao Trabalho Escravo do MPT, integrou a capacitação e explicou que rodoviárias e aeroportos são locais estratégicos para o tráfico de pessoas porque são áreas de grande trânsito diário de passageiros e que, consequentemente, acabam se tornando porta de entrada e saída para o crime.
“É importante que as pessoas que transitam nesses locais estejam sensibilizadas, tenham um olhar apurado para situações que possam caracterizar o tráfico de pessoas e, assim, possam acionar as autoridades para combater esse crime”, disse a procuradora.
Em casos suspeitos de tráfico de pessoas em rodoviárias e aeroportos, os operadores devem observar, por exemplo, se um dos passageiros fala em nome do outro, se está com o documento do outro ou se há sinais de violência, inclusive verbal. Havendo a suspeita, o trabalhador deve acionar as autoridades competentes e relatar a ocorrência.
Atividades em Arapiraca
No dia 28 de agosto, integrantes da Coetrae realizarão a primeira reunião no interior do estado para discutir com atores locais as estratégias de atuação da comissão. Na mesma data, os profissionais de Rede de Proteção do município – Cras, Creas, Conselhos Tutelares e outras entidades – serão capacitados para o atendimento e encaminhamento às vítimas do trabalho escravo.